21 de junho de 2018

UMA ANÁLISE CRÍTICA SOBRE O LIVRO CRIME E CASTIGO, DE FIÓDOR DOSTOIÉVSKI



 O livro Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski, publicado em 1866, aborda os conflitos psicológicos de um ex estudante de direito que passa por dificuldades financeiras. Tais conflitos desencadeiam ideias e pensamentos criminosos.


 O conflito interno vivido pelo personagem de Raskólnikov, apresenta-se por meio de pensamentos, confusos e por vezes não conclusos. Essa característica da escrita do autor faz com que o leitor realmente entre na cabeça do personagem, sinta e experimente a confusão e a angustia vivida pelo personagem, conforme Dostoiévsky (2009, p. 75) retrata no trecho abaixo:

“Meu Deus! – exclamou ele será, será que eu vou pegar mesmo o machado, que vou bater na cabeça, vou esmigalhar o crânio dela... vou deslizar no sangue viscoso, quente, arrebentar o cadeado, roubar e tremer; esconder-me, todo banhado de sangue... com o machado... meu Deus, será possível?”

 O livro é dividido em seis partes. A primeira parte trata-se do “Iter Criminis” – da sucessão de todos os atos preparatórios até a prática da conduta delituosa, que na história se dá pelo homicídio cometido por Raskólnikov contra a pessoa de Aliena Ivánovna, uma viúva usurária, muito má, e sua irmã Lisavieta.

 Curiosamente Crime e Castigo divergi dos demais romances policiais, onde o crime  é exclusivamente o que move a trama. De fato, desde o primeiro capítulo, o autor deixa claro que o protagonista será o autor do crime, bem como a motivação, sem falar que o crime ocorre ainda na primeira parte do livro. Em suma, o crime em si não é o foco principal do autor, mais e principalmente as consequências advindas do cometimento deste, psicologicamente e na vida do personagem principal Raskólnikov.

 A Segunda parte do livro fala sobre as consequências psicológicas, o trauma, a culpa inconsciente, sem falar no medo e na aflição de ser pego depois do homicídio e a forma pela qual o personagem reagi a tudo isso.

 Nessa parte do livro passado o estado catatônico inicial, mecanismo de defesa fruto do trauma, o personagem encontra-se duplamente perturbado, e paranoico com a possibilidade de ser descoberto. O artifício usado pelo autor para refletir esse estado de espírito do protagonista foi repetir, sequencialmente algumas falas e ou pensamentos do personagem, fazendo com que o leitor passasse a sentir a perturbação e a inquietação, bem como sentir de forma mais realista as emoções vividas pelo personagem, de acordo com Dostoiévsky (2009, p. 106 ) retrata no trecho abaixo:

“De fato, sinais! Todo o bico da meia embebido de sangue”; pelo visto na ocasião ele havia metido o pé naquela possa por descuido... “E agora, o que vou fazer com isso? Onde vou meter essa meia, a franja, o bolso?” ... “meto tudo na estufa? Mas é na estufa onde primeiro vão começar a remexer. Queimar? Mas queimar com o quê? Nem fósforo eu tenho. Não, é melhor ir a algum lugar e jogar tudo fora.”

 Também é possível entender essa perspectiva quando Dostoiévsky (2009, p. 106), através da voz do personagem afirma que “... e durante muito tempo, horas a fio imaginou-se com ímpetos de “ ir agora mesmo, sem demora, a algum lugar e jogar tudo fora, para que tudo fique longe do alcance de vista e sem demora, sem demora!”

 Assim em alguns momentos é possível que o próprio leitor sinta-se confuso ou angustiado, de acordo com as emoções vividas pelo personagem. Fato que torna a leitura pesada e densa em alguns momentos da trama. O que não é um ponto negativo, tendo-se em vista que poucos são os autores que conseguem tal feito.

Na terceira parte do livro somos apresentados a um artigo escrito por Raskólnikov, esse artigo retrata uma teoria criada pelo próprio personagem que dividi os seres humanos em “ordinários” e “extraordinários”, sendo classificados como ordinários todos aqueles que devem viver em obediência, porque essa é simplesmente a sua índole.

 Em suma são indivíduos comuns, enquanto os extraordinários por sua vez são indivíduos extremamente inteligentes que têm a capacidade de mudar o mundo a sua volta, conforme (2009, p. 269) retratado no trecho abaixo:

“Os Licurgos, Sólons, Maomés, Napoleões etc., todos eles, sem exceção, foram criminosos já pelo fato de que, tendo produzido a nova lei, com isso violaram a lei antiga que a sociedade venerava como sagrada e vinha dos ancestrais, e aí, evidentemente, já não se detiveram nem diante do derramamento de sangue, caso esse sangue, (às vezes completamente inocente e derramado de forma heroica em defesa da lei antiga) pudesse ajudá-los.”

 No trecho em destaque Raskólnikov explica porque os extraordinários podem e devem infringir as leis, independentemente da consequência ser a morte de várias pessoas, tendo inclusive mencionado o nome de algumas figuras ilustres que se enquadram na categoria de seres humanos extraordinários e que tiveram um papel significativo na história da humanidade como Maomé e Napoleão.

 Em suma, em seu artigo o personagem é a favor do cometimento das infrações e até do derramamento de sangue inocente, desde que tudo seja feito em prol da humanidade e sendo este o meio necessário para instaurar-se a mudança.

 Na quarta e quinta parte do livro o personagem principal se aproxima de Sônia, uma das muitas vítimas da situação econômica pela qual passava à Rússia na época. Talvez por vê-la como semelhante, ou seja, como uma pecadora.

 Ironicamente essa foi à personagem escolhida pelo autor para instaurar a mudança no personagem, essa mudança dá-se em grande parte pela fé de Sônia, que mesmo sendo uma pecadora é crédula e boa, conforme (2009, p. 428):

 “Levanta-te! (Ela o agarrou pelos ombros; ele soergueu-se, olhando-a meio surpreso.) vai agora, neste instante, para em um cruzamento, inclina-te, beija primeiro a terra, que tu profanaste, e depois faz uma reverência a todo este mundo, em todas as direções que quiseres, e diz a todos em voz alta: “Eu matei!”. Então Deus te mandará vida mais uma vez. Vais? Vais”. 

 Uma característica notável da obra é a forma como o autor humaniza seus personagens. O próprio Raskólnikov, mesmo sendo um criminoso é extremamente humano e benevolente em certas passagens do livro, como quando doou todo o dinheiro que tinha ganhado de sua mãe e irmã para que a viúva Catierina Ivánovna e os órfãos pudessem elaborar o funeral de Marmieládov. 

 Ademais, os capítulos finais do livro mostram que no caso do personagem condenado a trabalhos forçados na Sibéria, a pena não foi apenas mais uma forma de ressarcir os danos causados à sociedade. Para o personagem, a pena concomitante ao amor e à força inexplicável da fé acabou por purifica-lo e resgata-lo.

14 de maio de 2014

Último volume de Os Heróis do Olimpo ganha capa

Depois do sucesso de Percy Jackson e os Olimpianos, Rick Riordan decidiu escrver uma nova série sobre semideuses. Agora, Os Heróis do Olimpo chega ao fim no quinto livro da série: O Sangue do Olimpo. O desfecho de mais uma série de sucesso de Rick Riordan chegará às livrarias americanas dia 7 de outubro e sua capa acaba de ser revelada pelo USA Today. Não se sabe, por enquanto, se a Intrínseca repetirá o que aconteceu com A Casa de Hades e fazer um lançamento simultâneo com a edição americana. Sobre o livro, Riordan disse que ter escrito Os Heróis do Olimpo foi uma experiência incrível e que dar um fim à série é como mandar uma filho para a faculdade: é triste, mas o deixou orgulhoso. A nova série de Rick Riordan tratará sobre mitologia nórdica e está prevista para o ano que vem.

ATUALIZADO: A Intrínseca não informou o dia, mas confirmou que O Sangue do Olimpo será lançado em outubro.

13 de abril de 2014

Trilha Sonora de "A Culpa é das Estrelas" é anunciada


Talvez nem tudo que entre na moda seja de todo mal, não? Uma das coisas mais corriqueiras, ultimamente, estão sendo as trilhas sonoras de filme sendo lançada para promove-los, essas trilhas trazem faixas com temas relacionados - obviamente - à trama do filme e poucas - quando nenhuma - chegam a aparecer no filme, alguma ainda sobrevivem até os créditos ao menos. Mas o maior ponto dessas trilhas são seus cantores favoritos cantando músicas para suas histórias favoritas.
  E foi anunciada a trilha para a adaptação cinematográfica de A Culpa é das Estrelas, best-seller do John Green. Pelo que podemos ver pela lista das músicas, a trilha é tão sentimental e emocionante como a história de Hazel e Gus. Os destaques são Ed Sheeran e Birdy, famosos por suas músicas tocantes. Ed Sheeran foi ao Twitter para esclarecer que sua música All of the Stars aparacerá nos créditos finais e que será lançada em um mês. Você pode conferir a tracklist do CD abaixo:
1) Ed Sheeran – “All Of The Stars”
2) Jake Bugg – “Simple As This”
3) Grouplove – “Let Me In”
4) Birdy & Jaymes Young – “Best Shot”
5) Kodaline – “All I Want”
6) Tom Odell – “Long Way Down”
7) Charli XCX – “Boom Clap”
8) STRFKR – “While I’m Alive”
9) Indians – “Oblivion”
10) The Radio Dept. – "Strange Things Will Happen”
11) Afasi & Filthy – “Bomfallarella”
12) Ray LaMontagne – “Without Words”
13) Birdy – “Not About Angels”
14) Lykke Li – “No One Ever Loved”
15) M83 – “Wait”

6 de abril de 2014

Revelada capa de sequência de O Filho de Sobek

Finalmente foi lançada a capa de The Staff of Serapis (em tradução literal, O Cajado de Serápis) sequeência de O Filho de Sobek. Como dito antes, o conto trará um encontro entre duas personagens das séries de Rick Riordan: Annabeth Chase, de Percy Jackson e os Olimpianos e Os Heróis do Olimpo, e Sadie Kane, de As Crônicas dos Kane. A história será lançada, nos EUA, no dia 8 de abril e estará presente nas versões paperback de A Marca de Atena. Como aconteceu com O Filho de Sobek, The Staff of Serapis também será lançado separadamente no dia 20 de maio, junto com uma prévia do último livro da série Os Heróis do Olimpo.
Sobre o conto, Rick Riordan contou ao site Hypable que a Annabeth estará enfrentando problemas no metrô quando vai encontrar Sadie, que a lembrará de si mesma e que foi muito divertido escrever os diálogos entre as duas. Se tudo acontecer como no ano passado, The Staff of Serapis deve te sua versão brasileira disponível poucos dias após o lançamento na terra do Tio Sam, só nos resta torcer.

5 de abril de 2014

Cidades de Papel vai virar filme

A Culpa é das Estrelas nem chegou nos cinemas, mas com o sucesso que o livro e o autor fazem, o estúdio que produziu a adaptação decidiu não esperar para ver os resultados da bilheteria e deu sinal verde para a produção de uma adaptação de outra obra de John Green, dessa vez Cidades de Papel. Dessa vez, o próprio autor será o produtor executivo do filme, o que nos dá esperança de grande fidelidade quando o livro for às telonas. Pelo Twitter, Green anunciou que Nat Wolf - que também está no elenco de A Culpa é das Estrelas - estará também no elenco de Cidades de Papel. Enquanto mais informações não surgem, ficamos aguardando a estreia de A Culpa de Estrelas que acontecem no dia 5 de junho.

14 de março de 2014

Resenha - O Circo da Noite

   Mesmo antes de ser lançado, O Circo da Noite já era um sucesso, várias resenhas enalteciam o trabalho de estreia de Erin Morgenstern. Quando foi anunciado que um dos produtores envolvidos na adaptação cinematográfica de Harry Potter iria participar, também, da adaptação de O Circo da Noite, o mundo partiu para devorar esse livro. A promoção desse livro enfatiza a disputa mágica entre um casal de jovens magos que acabam por se apaixonar e que essa disputa se dá em um circo. Imagina-se então que esse livro é uma constante narrativa cheio de duelos entre feiticeiros... não é isso que acontece.

   O livro conta a história de Celia Bowen que é treinada pelo pai para que possa combater, em algum dia, com outro aprendiz de mago. Este outro aprendiz é Marco, treinado por um homem misterioso que o retira de um orfanato para treiná-lo. Celia e Marco não entendem como deve se dar essa disputa, seus respectivos mestres não explicam a dinâmica do jogo e esse é o grande motor da história. A narrativa de Erin é bastante detalhada, e cheia de imagens incríveis. Só leia esse livro se estiver bastante inspirado para imaginar os mais incríveis detalhes. Le Cirque de Rêves (o nome do circo da história quer dizer O Circo dos Sonhos) não é composto de apenas uma tenda e cada tenda é um show a parte.

O cartaz anuncia algo chamado Jardim de Gelo, e Celia sorri ao ler o adendo logo abaixo: um pedido de desculpa por quaisquer inconveniências térmicas. Apesar do nome, ela não está preparada para o que a aguarda dentro da tenda.

   O livro não é contado apenas sob a ótica de Celia. Além de ser contada através de vários pontos de vista, a história é contada em vários espaços de tempo. Em um capítulo estamos vendo uma Celia ainda criança, em outra vemos os gêmeos Poppet e Widget que podem ver o futuro e o passado, em outra temos Celia e Marcos lutando por seu amor e em outro vemos o idealizador do circo e seus amigos.

 No começo, a história de Bailey pode parecer chata, mas no final ele disputará com Poppet e Widget para ser seu personagem preferido. Enfim, temos vários personagens e mesmo acontecendo em diferentes momentos, a história flui muito bem.

   O Circo da Noite é uma história singular, diferente de muitas que vemos por aí. Os personagens são bem desenvolvidos, os cenários são bem descritos e mesmo não sendo um espetáculo onde magos duelam, é uma história sobre o amor e sacrifício. Leia e ao chegar ao final você receberá algo e saberá onde deverá ir se quiser ter uma noite incrível.

1 de março de 2014

Resenha - De repente acontece


 No último ano da escola, Sara e Tobey não poderiam andar em direções mais opostas. Ela quer entrar na melhor faculdade, ele quer vencer a batalha das bandas... O outro objetivo de Sara é encontrar um amor verdadeiro. Tobey jura que esse alguém pode ser ele mesmo, mas, para Sara reparar nele é preciso tirar o lindo e perfeito Dave do seu caminho.

- Você acredita em almas gêmeas? - É uma pergunta atípica para um homem fazer, mas não há outra explicação para o que está acontecendo conosco. E Sara sabe que o que eu menos sou é uma pessoa típica.    pág. 153


 Assim como todos os livros da autora "De repente acontece" se mostrou um romance bem juvenil, cujos personagens principais são jovens, ainda cursando o High School/ ensino médio e passam por problemas e experiências típicas da idade entre eles está a importante decisão de escolherem suas futuras carreiras, decepções e claro o primeiro amor.

 Apesar do triângulo amoroso e dos acontecimentos serem previsíveis, de repente acontece, foi dentre todos os livros que li da autora, o melhor,  nele estão presentes características que tanto me agradam na escrita da autora que são a fluides e a leveza com a qual a mesma aborda e desenvolve os acontecimentos.

 Contudo, o que de fato diferencia esse, dos demais livros do gênero e o motivo pelo qual, o mesmo se tornou o meu favorito da autora, foram os capítulos serem intercalados e narrados em primeira pessoa pela Sara e principalmente pelo Tobey, o que, além  de proporcionar uma visão mais ampla da história, a torna muito mais interessante, se levarmos em consideração que não estarmos mais limitados unicamente a visão da mocinha, agora também podemos ver como pensão os garotos, assim como, suas perspectivas e anseios dentro de um relacionamento.

  Um alerta a todos que não gostam de triângulos amorosos, se bem que já havia alertado vocês de que a Colasanti adora os tais triângulos... todavia, hoje já penso nisso como sendo uma formula que a autora utiliza nas construções de suas histórias, não que isso tenha me desagradado, muito pelo contrário, foi até legal ver um determinado personagem lutar para conquistar o seu lugar no coração da Sara, mas há quem não goste, então...

  O Legal é que ao termino dessa leitura não pude deixar de evitar desejar que a Colasanti continue a escrever esses romances juvenis de que tanto gosto.  e por fim gostaria de Indicar esse livro para todos que gostam do gênero e que estão em busca de uma leitura leve agradável, e ou, que estão querendo reviver sua época de ensino médio.
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